Economia da recorrência: como setor automotivo se tornou um “streaming”

Indústria se adapta à tendência de mercado que se relaciona com cultura de assinaturas

A economia da recorrência entrou na vida da população brasileira e exigiu adaptações de setores ao mercado gerado por essa modalidade.

O modelo consiste em pagamentos recorrentes, como sistemas por assinaturas, presentes nas despesas mensais da população – e o setor automotivo é uma das vertentes a aderir, tornando-se quase um “streaming”.

O que é a economia da recorrência

A economia da recorrência é um modelo de negócios baseado em pagamentos periódicos, geralmente estabelecidos em um sistema de assinaturas, em troca do acesso contínuo a produtos ou serviços.

Assinaturas de jornais e revistas, por exemplo, utilizavam esse formato muito antes da internet. Entretanto, o modelo de negócio ganhou força com o aumento da digitalização. O avanço do streaming, principalmente, ajudou a impulsionar o modelo como uma tendência de consumo.

Além do entretenimento, a economia da recorrência acabou adotada em outros segmentos, como transporte, comércio eletrônico, games, saúde, educação e seguros.

Os principais benefícios dos serviços por assinatura

O sistema é capaz de oferecer maior previsibilidade de receita e fidelização de clientes e se tornou uma das modalidades de negócios preferidas entre as empresas. O modelo se tornou uma forma de monetização quase irrestrita para produtos e serviços.

Entre os consumidores, a proposta costuma envolver flexibilidade e acesso contínuo a produtos e serviços sem a necessidade de compras pontuais. Além disso, conta com a conveniência de manter o gasto fixo sem a necessidade de realizar novos esforços para repetidos processos de aquisições.

Dados comprovam a grande adoção de assinaturas pela população brasileira. Pesquisa encomendada pela Vindi, empresa de infraestrutura de pagamentos recorrentes, mostrou que 56% de 2.000 entrevistados gastam entre R$ 51 e R$ 200 por mês com assinaturas, planos e mensalidades. Enquanto isso, 17% desembolsaram mais de R$ 200. O estudo foi feito em parceria com o Opinion Box.

Além disso, a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) aponta que os brasileiros gastaram R$ 41,7 bilhões em assinaturas recorrentes no primeiro trimestre de 2024. O valor teve um crescimento de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Como o modelo está transformando diferentes mercados

A economia da recorrência deixou de estar restrita ao entretenimento e passou a transformar diferentes setores da economia.

No setor de veículos, por exemplo, o crescimento dos serviços por assinatura reflete uma mudança no comportamento do consumidor, que tem priorizado conveniência, previsibilidade de gastos e flexibilidade. Motoristas passaram a avaliar se é vantajoso assinar um carro, especialmente diante de custos como entrada, financiamento, IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), seguro e manutenção, além do aumento dos preços dos veículos.

A proposta é de que o cliente pague uma mensalidade que reúna diversas despesas em um único contrato. O motorista pode utilizar um veículo 0 km mediante pagamento mensal por um prazo previamente definido. O valor costuma incluir custos como seguro e manutenção.

O avanço desse modelo acompanha a tendência do uso em vez da posse e atrai interessados em praticidade, previsibilidade financeira e flexibilidade. De acordo com a Associação Brasileira de Locadoras de Carros (Abla), os “carros por assinatura” representam 8% do mercado de aluguel de veículos.