Estratégias de RH passam a tratar o pacote de benefícios como pilar de atração, bem-estar e retenção de talentos
As discussões sobre benefícios corporativos em 2026 ganham relevância em um contexto de transformações no mundo do trabalho, marcado por novas expectativas profissionais, modelos híbridos e maior atenção à saúde integral. O tema deixa de ser operacional e passa a ocupar espaço estratégico nas agendas de gestão de pessoas.
Com equipes mais diversas em perfil, momento de vida e prioridades, cresce a pressão para que empresas revisem políticas internas e adotem soluções capazes de equilibrar competitividade, engajamento e sustentabilidade financeira. O pacote de benefícios passa a refletir, cada vez mais, a cultura organizacional e a maneira como o trabalho é estruturado.
Benefícios mais valorizados
Atualmente alguns incentivos seguem como referências nas políticas corporativas. Dados de uma pesquisa da consultoria Robert Half, realizada em 2025, apontam os benefícios considerados prioritários pelos profissionais e que devem continuar no centro das estratégias nos próximos anos. Entre eles, estão:
- bônus acordado (anual, trimestral ou mensal);
- plano de saúde privado;
- vale-refeição;
- plano de previdência privada;
- plano odontológico;
- incentivo ou reembolso para educação;
- auxílio-combustível ou reembolso;
- seguro de vida;
- carro da empresa;
- celular corporativo.
O levantamento indica que segurança financeira, saúde e alimentação permanecem como pilares centrais, enquanto educação e mobilidade ganham relevância como instrumentos de apoio ao desenvolvimento profissional e à rotina de trabalho.
Personalização e autonomia
A diversidade de gerações, perfis profissionais e realidades pessoais altera a percepção de valor dentro das organizações. Embora exista um conjunto de benefícios amplamente valorizados, os pacotes padronizados tendem a perder efetividade em ambientes nos quais convivem profissionais com diferentes expectativas.
Outros dados divulgados pela Robert Half reforçam esse cenário: 76% dos entrevistados afirmaram que gostariam de realizar alterações no pacote que possuem. Para 84% deles, há o desejo de escolher seus incentivos, mas apenas 21% têm essa possibilidade. O dado mostra uma evolução em relação a 2024, quando 15% contavam com pacotes flexíveis.
Para as empresas, a adoção de benefícios flexíveis é uma resposta estratégica à diversidade interna. Ao permitir que parte do pacote seja ajustada conforme as prioridades individuais, esse modelo amplia a percepção de valor dos funcionários e fortalece o vínculo entre profissionais e organização.
Preparação para o futuro do trabalho
O bem-estar no trabalho passa, cada vez mais, a integrar decisões estruturais dentro das empresas. Para 2026, a expectativa é de maior integração entre saúde física, mental e financeira, com políticas que dialoguem com jornadas flexíveis, prevenção de adoecimentos e suporte em diferentes fases da trajetória profissional.
Nesse contexto, empresas que pretendem se manter competitivas precisam revisar periodicamente seus modelos de benefícios, considerando indicadores internos, escuta ativa das equipes e mudanças no mercado. Assim, a gestão de pessoas assume papel estratégico na tradução dessas demandas em políticas coerentes e sustentáveis.