Integração de serviços financeiros a plataformas digitais cria novos modelos de monetização, melhora a experiência do usuário e impulsiona a expansão de negócios não financeiros
O embedded finance deixou de ser apenas uma aposta de inovação para se tornar uma frente concreta de geração de receita para empresas fora do setor bancário. Ao integrar serviços financeiros diretamente em seus produtos e plataformas, companhias de diferentes áreas passaram a disputar espaço em um mercado que cresce em ritmo acelerado nos últimos anos.
Estimativas de consultorias internacionais indicam que o mercado global de embedded finance movimentou cerca de US$ 82 bilhões em 2023, com crescimento contínuo impulsionado pela digitalização dos meios de pagamento e pela busca por experiências financeiras mais simples.
As projeções, elaboradas a partir da análise de receitas declaradas, volume de transações e expansão de serviços digitais, apontam para uma evolução consistente ao longo da década.
O que é embedded finance e como ele funciona
Embedded finance é o modelo que permite a incorporação de serviços financeiros integrados, como pagamentos, contas digitais, crédito ou seguros, diretamente em plataformas não financeiras. Em vez de recorrer a bancos ou aplicativos externos, o usuário realiza essas operações no mesmo ambiente em que já consome produtos ou serviços.
Esse funcionamento é viabilizado por integrações tecnológicas que conectam empresas a provedores financeiros, permitindo que transações ocorram em tempo real e de forma transparente para o consumidor. Na prática, a empresa não se torna um banco, mas passa a oferecer produtos financeiros digitais como parte da sua proposta de valor.
Relatórios de mercado produzidos entre 2023 e 2024, com base em dados agregados de transações e entrevistas com executivos do setor, mostram que esse modelo se expandiu principalmente em plataformas digitais com grande volume de usuários e recorrência de uso.
Por que empresas não financeiras estão apostando em serviços bancários
A principal motivação é econômica. Ao integrar serviços financeiros, empresas criam novas linhas de receita que vão além do produto principal. Taxas por transação, serviços financeiros adicionais e maior retenção de clientes tornam o modelo financeiramente atrativo.
Pesquisas de mercado realizadas em 2024 apontam que mais da metade das empresas digitais já oferece ao menos um serviço financeiro embutido ou está em fase de implementação. Esses dados foram coletados a partir de levantamentos com gestores e análise de plataformas que passaram a intermediar pagamentos, crédito ou gestão financeira.
Principais exemplos de serviços financeiros integrados
O embedded finance se manifesta de diferentes formas, dependendo do setor e do modelo de negócio. Entre os serviços mais recorrentes, estão:
- Pagamentos digitais integrados à plataforma;
- Contas digitais associadas ao uso do serviço;
- Crédito oferecido no momento da necessidade do usuário;
- Carteiras digitais para gestão de saldo;
- Soluções de cobrança e recebimento.
Segundo estimativas publicadas em análises setoriais de 2024, esses serviços já movimentam trilhões de dólares em transações anuais no mundo. Os números são calculados a partir do volume processado por plataformas digitais que incorporaram funções financeiras às suas operações.
Esse movimento amplia a monetização de serviços e reforça o papel das empresas como intermediárias financeiras dentro de seus próprios ecossistemas.
Como o embedded finance impacta a experiência do cliente
Para o consumidor, o principal impacto do embedded finance é a conveniência. Ao eliminar etapas externas, o modelo simplifica processos e reduz o tempo necessário para concluir operações financeiras.
Levantamentos de comportamento do usuário realizados entre 2023 e 2025 mostram aumento significativo na adoção de serviços financeiros integrados, especialmente em plataformas que oferecem soluções contextualizadas. Esses dados são obtidos por meio da análise de uso real de sistemas digitais e pesquisas com consumidores.
A melhora na experiência do usuário não está apenas na interface, mas na lógica do serviço: resolver necessidades financeiras no momento exato em que elas surgem, sem exigir que o cliente interrompa sua jornada.
Os desafios regulatórios e operacionais do modelo
Apesar do crescimento, o embedded finance apresenta desafios relevantes. A ampliação da oferta de serviços financeiros exige atenção às normas regulatórias, à proteção de dados e à segurança das transações.
Estudos técnicos publicados nos últimos dois anos indicam que a complexidade operacional aumenta à medida que mais serviços são integrados, exigindo estruturas sólidas de governança e controle de riscos.
O avanço do embedded finance só é possível graças a uma infraestrutura financeira robusta, capaz de sustentar integrações seguras entre empresas e serviços bancários. Essa base tecnológica é essencial para garantir estabilidade, escalabilidade e confiança no modelo.